AGRICULTURA BIOLÓGICA COMO AGRICULTURA NUTRICIONAL


18 de outubro, 2016
por Guilherme Vieiralves – Eng.Agrônomo

agricultura biológica

A agricultura biológica vem crescendo em área manejada nos países de língua inglesa como Austrália, Canadá e EUA. Conceitualmente falando, na Europa utiliza-se o termo biológico (bio), que equivale ao orgânico brasileiro. No entanto, a agricultura biológica deste artigo refere-se a uma escola similar, porém distinta e específica ao mesmo tempo, fundamentada em um fino equilíbrio dos aspectos químicos, físicos e biológicos. Ela surgiu nos EUA, nos anos 30, a partir dos trabalhos do prof. William Albrecht, cuja base é a saúde do solo através do equilíbrio de minerais, recebeu contribuições fundamentais de Carey Reams no campo do eletromagnetismo aplicado a vegetais, e atualmente vem sendo influenciada pela microbiologista Elaine Ingham, com seus trabalhos sobre a Rede Alimentícia do Solo (Soil Food Web), explicando as interações entre os microrganismos do solo e as plantas. A ênfase é dada para a qualidade nutricional dos alimentos, obtida através da potencialização da fotossíntese, sendo a definição de práticas e insumos dirigida segundo a maximização da biologia do solo e seus processos de regeneração.

O objetivo de qualquer agricultor biológico é maximizar o potencial fotossintetizante das plantas através da conversão de energia luminosa em energia química, armazenando-as nas cadeias de açúcar. Esse açúcar se torna o bloco de construção com o qual são formados gorduras, proteínas, carboidratos, celulose, etc. Quanto mais açúcares forem produzidos, mais será disponibilizado ao solo para alimentar os micróbios. Por sua vez os micróbios constroem húmus, carbono estável, fixam nitrogênio, fornecem minerais às plantas e a ajudam em sua defesa, em suma, a produção de açúcares é fundamental. Assim sendo, qualquer produtor pode ter um refratrômetro, o qual permite ‘medir a fotossíntese’ (em graus Brix) com gotinhas do suco ou seiva da planta, podendo indicar o sabor e potencial vida útil do produto após a colheita, fornecendo um panorama imediato da saúde geral de uma cultura em qualquer estágio de produção. E ela pode ser extrapolada, mostrando níveis de açúcares, minerais, proteínas e vitaminas na planta (sólidos solúveis). Altos níveis de Brix (acima de 12), indicam elevado valor nutricional e medicinal, e baixos níveis de nitrato e de água. Em resumo, as plantas terão folhas mais vistosas, frutos bem formados, com mais cor, brilho e sabor. Dessa forma será possível fundamentarmos a conceito de que os produtos orgânicos são mais nutritivos, uma vez que as pesquisas científicas ainda não conseguem comprovar tal fato amplamente, em função das múltiplas variáveis e formas de manejo dos sistemas agrícolas.

Os produtos orgânicos (especialmente aqueles com selo) certamente estão livres de herbicidas e pesticidas, o que já é um grande diferencial quando consideramos que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Mas ainda há muito a ser melhorado, nutricionalmente falando, na agricultura orgânica. Precisamos desconstruir a ideia generalizada de que os produtos ecológicos, por não utilizarem agrotóxicos e outros adubos, são mais “feios” e menores, pois eles podem e devem expressar a vitalidade da natureza de maneira integral através das ferramentas biológicas que o produtor tem ao seu dispor.

O CURSO

Onde: Sítio Terra Mãe, Campinas-SP
Quando: 07 de julho de 2016

No começo de julho a Associação de Agricultura Natural de Campinas e região – ANC, em parceria com o sítio Terra Mãe, em Joaquim Egídio, promoveram o Curso Agricultura Biológica: produzindo alimentos com a natureza /Agricultura Nutricional, com o Engenheiro Agrônomo e produtor rural, mestre em fisiologia e bioquímica José Luiz Garcia, idealizador do Instituto de Agricultura Biológica (institutodeagriculturabiologica.org). O curso abordou pontos importantes do manejo agrícola, como equilíbrio de bases no solo, a importância dos minerais na microbiologia, o papel das plantas como alimentadoras da Rede Alimentícia do Solo (Soil Food Web), além de trazer técnicas como o uso de Microorganismos Eficientes, preparo de bokashi anaeróbico, fabricação do chá de composto aerado (compost tea), e medição de grau Brix e acidez nos alimentos.

Fotos: Maria Elisa von Zuben Tassi